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Aipim x Ipad

Desde 2000, os países emergentes, como é o caso do Brasil e da Índia, viveram o chamado boom das commodities, quando o preço da exportação de produtos minerais e agrícolas experimentou uma hipervalorização. Foi à obtenção de expressivos saldos comerciais decorrentes da venda desses produtos que fez a economia brasileira viver os seus dias de euforia no governo Lula.

Parecia até que estava superada uma antiga preocupação dos formuladores de política econômica e do processo de desenvolvimento, assentada no pressuposto de que um país não pode amparar o seu desenvolvimento, de forma permanente, só exportando soja, minério de ferro e petróleo. Afinal, não são agregadores de tecnologia, o que faz um produto valer mais na hora da venda.
Mas no auge desse período, que para muitos foi o Século de Ouro do Comércio Exterior, não faltavam exageros que iam na linha de dizer que quem não tinha o ipad podia muito bem se virar com o aipim.

Será? Na verdade, como já sentimos por aqui, o superciclo de valorização passou, o que pode ser medido pela notícia divulgada pela Folha de S. Paulo “Tecnologia supera commodities em índice de emergentes“, dando conta que as ações das empresas de tecnologia superaram as das companhias que comercializam produtos agrícolas e minerais, fato que não acontecia desde agosto de 2008.

De acordo com a matéria, sete das 10 maiores carteiras de ações do MSCI Emerging Markets são de empresas de tecnologia, como a chinesa Alibaba, a coreana Samsung e Foxconn de Taiwan.

Sendo assim, fica a questão: E o Brasil, como fica? Boa pergunta, mas de difícil resposta, porque o país parece não estar preparado para identificar o lugar que poderá ter no jogo do comércio internacional, onde a aposta dos grandes fundos investidores se faz em países de alta tecnologia, como é o caso do grupo Tick (Taiwan, Índia, China e Coreia do Sul).

Parafraseando o já clássico bordão do marketeiro americano James Carville, que assessorou Bill Clinton em sua campanha vitoriosa para presidente do Estados Unidos, podemos dizer: “É a tecnologia, estúpido!”. Sem ela, não vamos a lugar algum, ou, o que é pior, poderemos até mudar de lugar, indo para o fim da fila dos países que fazem sua economia crescer e o bem-estar da sua população melhorar.