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Congresso sobre Economia Ecológica, apoiado pelo Instituto Escolhas, discute as modificações da atmosfera terrestre provocadas por ações humanas

O 13º Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica debateu assuntos relacionados a sustentabilidade ambiental. O evento foi apoiado pelo Escolhas no âmbito da Cátedra de Economia e Meio Ambiente.

Há 13 anos o Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (Ecoeco) reúne pesquisadores de campos interdisciplinares como o da física (termodinâmica), da ecologia, da sociologia, da economia, entre outras disciplinas para estruturação do campo de estudos e conhecimento transdisciplinar da Economia Ecológica no país. A edição deste ano aconteceu em Campinas, cidade do interior de São Paulo, entre os dias 23 e 26 de Setembro para debater temas em torno das questões ambientais e os desafios contemporâneos impostos pela chamada era do Antropoceno. Com o título  “Será o Antropoceno a era do colapso ambiental? Pensando uma economia para o planeta Terra”, o evento contou com a participação de professores e alunos de diversas instituições de ensino do país.

O conceito Antropoceno é utilizado por pesquisadores para definir as ações antrópicas (humanas) que provocaram a mudança da composição da atmosfera terrestre e, consequentemente, ocasionam as mudanças climáticas. A programação do Congresso ainda contou com minicursos, apresentação de trabalhos acadêmicos em sessões temáticas e mesas redondas que abordaram temas como a questão da Amazônia e Mineração durante o Antropoceno.

Mas, afinal, como mitigar os impactos dessa Era? A pesquisadora titular e professora do PPGCI-IBICT/UFRJ, Liz-Rejane Issberner, em sua conferência de abertura “Ciência, Mercado e Sociedade em tempos de Antropoceno” ressaltou que uma das medidas possíveis é a precificação, dentre elas, do Carbono. “Uma medida importante é realizar uma economização do meio ambiente e taxar emissões de carbono, por exemplo.” disse a pesquisadora (o tema já foi abordado pelo estudo Escolhas “Taxação Sobre Carbono, Competitividade e Correção de Distorções do Sistema Tributário: Impactos na Economia Brasileira”).

Ainda durante sua palestra de abertura sobre o tema, em uma exposição sobre o impacto que a ciência tem na sociedade, Liz afirmou que a linguagem científica nem sempre é bem traduzida para pessoas leigas e que a ciência muitas vezes não oferece dados tranquilizadores, o que, geralmente faz com que as pessoas propaguem fake news sobre o saber científico. “As pessoas precisam agir diante o desconforto dos dados e não ficar na zona de conforto dizendo que eles são mentirosos ou criando teorias que não existem”.

Porque economia e meio ambiente?

Durante o evento, conversamos com alguns estudantes presentes no Congresso sobre a importância da pesquisa nessa área. Na visão de Anderson Araújo,  doutorando em economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), de 32 anos, uma ligação possível é a Economia Ecológica, que leva o nome do Congresso. “Precisamos entender que vivemos em um mundo com limitações e que as diversas áreas como ecologia, meio ambiente, economia, precisam se conjuntar. É complexo uní-las, mas o caminho me parece esse.”

Para Laissa de Oliveira, estudante do último ano de Economia da Unicamp, de 24 anos, “a palavra economia significa gestão da casa e, pra mim, casa está diretamente ligada ao planeta, ou seja, ao meio ambiente. Então a economia pode ser diretamente ligada a gestão de recursos que estão disponíveis em nosso mundo.” Laissa também falou sobre as dificuldades com a obtenção de dados que possam corroborar decisões mais sustentáveis para o meio ambiente.

Já Laysa Soares, doutoranda em Economia pela UFF, de 29 anos, ressaltou a  contribuição que a economia pode trazer na discussão do meio ambiente através da valoração econômica de alguns aspectos ambientais. “É importante entender o quão custoso é a poluição de um rio, da Baía de Guanabara, por exemplo, para aí poder atentar as autoridades sobre o quanto isso afeta a população.”

O evento teve seu encerramento nesta quinta-feira (26) com uma Mesa Redonda que discutiu as políticas de enfrentamento ao Antropoceno na América Latina.

O Instituto Escolhas apoiou o Congresso no âmbito da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente. A iniciativa contempla o Programa de Bolsas Cátedra Escolhas, que oferece bolsas de mestrado e doutorado para estudantes de pós-graduação interessados em estudar Economia em sua interface com o Meio Ambiente. Nas três edições anteriores, 17 estudantes foram apoiados. Conheça os bolsistas e os trabalhos desenvolvidos por eles no canal do Instituto Escolhas no Youtube

Saiba mais informações do processo seletivo no link

Acesse o site do 13º Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica