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Doutorado mostra como políticas econômicas podem fazer uso dos instrumentos ambientais para gerar ciclos positivos na economia

Apresentado por bolsista da Cátedra Escolhas, o trabalho é inédito ao mostrar resultados da inclusão de dados ambientais nos modelos clássicos de análises econômicas  

Os instrumentos de política ambiental podem ser utilizados para produzir choques positivos na economia e aumentar o bem estar social; países com portfólio energético diversificado resistem melhor a choques de preços de petróleo; e países que adotam o livre comércio também conseguem, com maior sucesso, reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Estes são os principais resultados da tese de doutorado “Três ensaios em Macroeconomia, Energia e Meio Ambiente”, defendida pelo professor da Universidade Federal de Roraima, bolsista do programa Cátedra Escolhas, Yuri Cesar de Lima e Silva. O desenvolvimento da tese, aprovada no início de fevereiro na Universidade Federal de Pernambuco, contou com apoio financeiro do Instituto Escolhas e patrocínio do Itaú.

No primeiro ensaio, o autor conclui que a precificação do carbono – com taxas e subsídios para o setor energético – pode ser utilizada para efeitos positivos na economia e no bem-estar. Ao conseguir inserir no modelo matemático o comportamento do setor energético de forma inédita, o estudo revela que a adoção da chamada “política ambiental ampla ótima” por um país como o Brasil é o que mais pode gerar pontos positivos em termos de sustentabilidade. O termo “ampla”, neste caso, engloba não apenas os impostos sobre as emissões, presentes em modelos desenhados na literatura, mas também considera uma estrutura de impostos e subsídios no setor energético capaz de induzir a substituição de combustíveis fósseis por energia renovável.

“Nossos resultados mostram que a adoção da política ambiental ampla ótima é superior, em termos de ganhos de bem-estar, a outras políticas alternativas mais restritas”, afirma Lima e Silva. “Com esta política, a economia apresenta níveis mais altos de produção, consumo e de bem-estar-social, contra níveis mais baixos de emissões de CO2 e de poluição”, afirma o autor da tese de doutorado, que teve a orientação do professor Marcelo Eduardo Alves da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco, durante o estudo acadêmico.

Diversidade das fontes de energia é fundamental segundo a conclusão do segundo ensaio que mostra como países que tem portfólio de energia diversificado, com fontes renováveis, resistem melhor a choque de preços de petróleo. Países como o Brasil possuem um portfólio energético composto por várias fontes de energia renováveis e não-renováveis que devem ser consideradas.

“Para efeitos de comparação, calibramos um modelo que considera apenas o petróleo como fonte energética e confrontamos os resultados obtidos com os encontrados na nossa proposta, que possui um setor energético diversificado. Como conclusão: os choques nos preços internacionais da energia aumentam o produto agregado e o nível de investimento, o que geraria um superávit na balança comercial brasileira. Além disso, esse tipo de choque também provoca a substituição de combustíveis fósseis por energia renovável, fazendo com que os níveis de emissão de carbono e de poluição diminuam.”

Segundo Lima e Silva, a resposta do modelo com uma única fonte energética é bem distinta. “Quando não há possibilidade de substituir a fonte energética, porque só existe um único tipo, a economia é atingida de forma mais incisiva, provocando uma variabilidade bem mais intensa nas respostas dos conjuntos de dados analisados.” O estudo também avaliou choques por demanda energética e outras variáveis.

“Nos dois primeiros artigos, analisamos questões referentes ao curto prazo (ciclo econômico), utilizando modelos de equilíbrio geral dinâmicos e estocásticos (E-DSGE), utilizados normalmente para analisar questões macroeconômicas referentes a políticas monetárias e fiscais. O simples fato de usarmos esta classe de modelo para discutir questões relacionadas ao meio ambiente é uma contribuição importante”, afirma Lima e Silva.

O terceiro artigo examinou, a partir de um outro tipo de modelo matemático, como os aumentos nas emissões de carbono impactam o crescimento econômico nos 30 países que mais emitem gás carbônico no mundo. Foram analisados dados de crescimento econômico, consumo total de energia, consumo de combustíveis fósseis, emissões domésticas de CO2, emissões estrangeiras de CO2 e abertura comercial. O resultado mostra que países que tem abertura econômica e adotam práticas de livre comércio tem maior capacidade de reduzir as emissões e estariam mais engajados em fazer com que o mundo reduza suas emissões, seja pelo acesso a novas tecnologias de abatimento ou pela própria pressão das novas exigências de uma demanda cada vez mais consciente dos problemas ambientais. O estudo mostra que o aumento de 1% no indicador de abertura comercial causa uma consistente redução nas emissões de carbono do resto do mundo.

Sobre a Cátedra

A Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente conta com o patrocínio do Itaú. A iniciativa contempla o Programa de Bolsas Cátedra Escolhas, que oferece bolsas de mestrado e doutorado para estudantes de pós-graduação interessados em estudar Economia em sua interface com o Meio Ambiente. Conheça os bolsistas e os trabalhos desenvolvidos por eles nas redes sociais do Instituto Escolhas.

Para saber mais, clique no link http://www.escolhas.org/historico-catedra/