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Economia de 86 mil GWh de energia em 16 anos ou 64% de todo consumo residencial de 2018 são os resultados iniciais do estudo sobre eficiência do ar condicionado no Brasil

O tema foi debatido no workshop online do Instituto Escolhas realizado, inicialmente, entre parceiros do projeto Kigali

 A economia de 86 mil GWh de energia elétrica até 2035 ou o equivalente a 64% de todo consumo residencial de 2018, além da redução de 37 milhões de toneladas de CO2. Utilizando uma amostra com modelos de ar condicionado tipo Split já testados com a nova métrica proposta pelo Inmetro, esses números são os resultados parciais de um dos cenários do estudo “Caminhos para a eficiência energética do ar condicionado no Brasil” apresentados em workshop online realizado pelo Instituto Escolhas, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (ICS), na manhã desta quinta-feira, dia 30 de abril.

No Brasil, o uso de ar condicionado corresponde a 14% do consumo de eletricidade no setor residencial. Enquanto o consumo médio mensal por domicílio sem ar condicionado, em 2018, corresponde a 162,48 kWh, somente o consumo deste tipo de equipamento nos domicílios que possuem o condicionamento de ar atinge 80% deste valor, atingindo 132,46 kWh. Debater a eficiência energética dos aparelhos é fundamental para a racionalização do consumo e menor custo de energia nas contas do consumidor. Os ganhos de eficiência passam por aperfeiçoamentos nas políticas industriais e de eficiência energética para que o país possa atingir ganhos maiores de energia, em relação aos equipamentos já utilizados, e benefícios ao consumidor com maior bem-estar e conforto.

Para alcançar a eficiência, no workshop, foram debatidos os desafios de conciliar os custos ao fabricante de aumentar a eficiência dos aparelhos de condicionamento de ar, a inovação e a produtividade e o que o país pode ganhar sistematicamente com o menor consumo de energia elétrica, além dos impactos econômicos e ambientais das alternativas para melhorar a eficiência energética dos aparelhos.

Com objetivo de ampliar o debate e coletar contribuições para a metodologia e os resultados parciais do estudo, o Escolhas reuniu, inicialmente, os parceiros do projeto Kigali – estratégia nacional de eficiência energética para o setor de ar condicionado e capacitação para fortalecer padrões eficientes de energia e rotulagem. No Brasil, o projeto é executado pelo ICS e que tem como objetivo ajudar a mudar o perfil do consumo de energia dos aparelhos de condicionamento de ar.

Para Gabriel Kohlmann, coordenador da pesquisa, “o objetivo era trazer os elementos que quantificam os impactos econômicos do modelo atual de produção e comercialização de ar condicionado, bem como os argumentos e impactos dos diversos cenários e alternativas”.

O economista Carlos Manso, pesquisador do estudo e da Universidade Federal do Ceará (UFC), fez a apresentação e chamou os participantes a pensar “que precisamos aumentar a eficiência do ar condicionado, a partir dos instrumentos que estão disponíveis e quais seriam as repercussões das diversas escolhas destes instrumentos, efeitos e impactos”. E, como a eficiência técnica é fator de competitividade para as empresas, teria que estar integrada à política industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), no Amazonas. Para ele, “não é razoável a concessão de benefícios tributários sem que se exija a busca permanente por aumento de produtividade, via absorção tecnológica, exatamente o tipo de avanço que a eficiência energética permite”

O engenheiro, especialista em eficiência energética, Roberto Lamberts, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), citou uma competição internacional que vai premiar fabricantes que estão buscando ideias inovadoras, universidades e empresas para colocar o equipamento mais eficiente no mercado. E completou comentando sobre o cenário atual e o aumento da demanda. “A Agência Internacional de Energia já colocou o que vai ser o problema dos próximos anos. Os países que estão se desenvolvendo, estão comprando ar condicionado e vão comprar muito mais. Quando se analisa a pesquisa de posses e hábitos, a gente vê que está muito ligada a renda. Assim que a renda eventualmente subir, as pessoas vão comprar ar condicionado assim que puderem. No Norte e Nordeste deveremos ver um crescimento muito significativo.”

O representante do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Clauber Leite, ressaltou que “o ganho de eficiência é benéfico ao consumidor e teria ganhos econômicos principalmente na sua fatura de energia. O coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade da instituição, anunciou que, em breve vai lançar uma plataforma para ajudar o consumidor a tomar a melhor decisão na hora da compra. “Estamos criando uma ferramenta para que o consumidor compare o nível de eficiência de um equipamento versus o preço com outro mais ou menos eficiente”, finalizou.

Em suas considerações finais, Kamyla Borges, coordenadora do Projeto Kigali no ICS, destacou a importância de trazer esse tema para a discussão e da parceria para a realização do estudo. Para ela, é importante ter “o Escolhas como protagonista dessa discussão sobre economia e meio ambiente, sobre a necessidade de entender eficiência energética como produtividade. Falar de eficiência energética não é só falar do Setor Elétrico, não é falar somente de redução de CO2, é falar sobre produtividade e competitividade na indústria.”