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A exportação de água no setor agropecuário e a sua precificação é tema do segundo Policy Brief da série Cátedra Escolhas

A autora Jaquelini Gelain mostra que o Brasil, ao lado do Irã, é um dos países que menos cobra pela água

O Brasil exportou 2,5 bilhões de metros cúbicos de água, entre 2002 e 2016, contida em produtos como açúcar, café, milho, soja e carne bovina. A conclusão apresentada no segundo Policy Brief da série Cátedra Escolhas está acompanhada de uma recomendação: a necessidade de o Brasil avaliar a política de cobrança pelo uso da água. No Policy “Água virtual exportada pelo Brasil por meio de produtos agropecuários”, a economista Jaqueline Gelain analisa o custo-benefício das exportações de água virtual pelo país. A autora é bolsista do programa Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente, que tem o Itaú como um dos patrocinadores.

A água virtual é a quantidade total de água utilizada no processo de produção agropecuária ou industrial, como explicado no Policy Brief, que analisa a quantidade desse insumo em cada produto. E, com base no valor da cobrança pelo uso do recurso hídrico pelos estados brasileiros, Jaquelini Gelain analisou o preço da água em comparação com outros 12 países do mundo. O resultado mostrou que o Brasil, assim como o Irã, é um dos países que menos cobra pelo recurso hídrico, ocupando o último lugar na tabela com o valor médio US$ PPP/m3 de 0,005 (dolár PPP – Purchasing Power Parity, ano 2016).

Para Jaquelini Gelain o trabalho contribui para mostrar a situação precária da cobrança pelo uso da água no Brasil e alertar que a exportação de água acontece sem que o valor seja pago seja pelos produtores ou pelos importadores. “Apesar de sermos o país com o maior volume de água no mundo, não cobramos pelo uso que fazemos dela na agricultura e grande parte de nossa pauta de exportações é de produtos agrícolas”, conclui.

O Policy Brief  foi elaborado a partir da tese de mestrado “Análise do Custo-benefício da Exportação de Água Virtual no Setor Agropecuário Brasileiro”, desenvolvida pela bolisita da Cátedra na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba, com  orientação do professor Alexandre Nunes de Almeida, da Esalq-USP.

Nos próximos dias, o Escolhas vai lançar mais quatro Policy Briefs elaborados por bolsistas da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente.

Série bolsistas:

“Mudanças Climáticas no Brasil: efeitos sistêmicos sob cenários de incerteza”, de Bruno Santos Souza

 “Água virtual exportada pelo Brasil por meio de produtos agropecuários”, de Jaquelini Gelain

Sobre a Cátedra

A Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente conta com o patrocínio do Itaú. A iniciativa contempla o Programa de Bolsas Cátedra Escolhas, que oferece bolsas de mestrado e doutorado para estudantes de pós-graduação interessados em estudar Economia em sua interface com o Meio Ambiente. Conheça os bolsistas e os trabalhos desenvolvidos por eles nas redes sociais do Instituto Escolhas.

Desde 2016, a Cátedra já beneficiou 23 bolsistas de diversos estados do Brasil, sendo que dez já defenderam a tese.