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A mobilidade da população em São Paulo e a nossa matriz energética

A recente preferência dos modais apontam a necessidade de investimento em transporte público e a redução do uso de gasolina como combustível

Uma pesquisa feita a cada 10 anos e divulgada pela Folha de São Paulo em 12 de dezembro apontou como a população da região metropolitana paulista se locomoveu no período entre 2007 e 2017. Os dados mostram um crescimento dos modais ferroviários na escolha de grande parte da população (metrô e trens), ao passo que o uso do automóvel particular permaneceu estático em números absolutos, crescendo a utilização de aplicativos como Uber, 99, Cabify, etc, que já soma 362 mil viagens por dia. A locomoção por meio de ônibus perdeu espaço entre os usuários paulistas, a participação deles recuou de 24%, em 2007, para 21%, em 2017. Em números absolutos, passou de 9 milhões de viagens para 8,6 milhões por dia. A pesquisa Origem Destino do Metrô realizou entrevistas em 32 mil domicílios e ouviu 156 mil pessoas para analisar a mobilidade na região metropolitana, norteando políticas públicas e privadas de transporte e urbanismo —como demandas de futuras linhas e empreendimentos imobiliários.

O Instituto Escolhas, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (ICS) e a Ideia Big Data lançou há um ano o estudo Mobilidade Urbana e Baixo Carbono, de abrangência nacional, para levantar informações sobre mobilidade urbana, novos modais e tempos de deslocamento dentro das cidades. Foram realizadas 3.000 entrevistas, com cotas de sexo e idade de acordo com a distribuição da população no município. Sobre Mobilidade Urbana, a primeira palavra que os entrevistados respondem relacionada a transporte público é ônibus (29%), em seguida as palavras que surgem são: péssimo, ruim, precário. Já a ideia relacionada ao carro é a de conforto, necessidade e congestionamento. Porém, a palavra PETRÓLEO remete a COMBUSTÍVEL para 33% dos entrevistados, a DINHEIRO para 9% e a PETROBRÁS para 8%. Também foram mencionados CARO (5%) e POLUENTE (4%).

De acordo com a pesquisa realizada pelo Escolhas, o imaginário popular tem os aplicativos de transporte privado como Uber/Cabify com uma imagem muito positiva, eles obtiveram 81% de aprovação; 32% dos entrevistados disseram utilizá-los com uma frequência igual ou maior do que duas vezes na semana. Esse número é bastante significativo se considerarmos que esses aplicativos não operam em todas as cidades brasileiras. Já para o modal ônibus e sua relação com combustível e Petrobrás, a imagem popular é ruim. As operadoras de ônibus no Brasil tiveram uma avaliação negativa em 40% com um índice maior de reprovação nos estados do norte e nordeste. Ou seja, o estudo já apontava à época para essa tendência, principalmente na região sudeste. As informações publicadas no estudo Mobilidade Urbana e Baixo Carbono também abordam o tema das fontes energéticas do país no conhecimento geral da população, onde a maior parte dos respondentes é a favor de aumentar o uso da eletricidade, biocombustíveis e gás natural como combustíveis no transporte.

A região sudeste é a mais favorável a aumentar muito o uso de eletricidade, biocombustíveis e gás natural e 79,5% da amostra é a favor de reduzir muito o uso de gasolina como combustível nos meios de transporte. Para Sérgio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas, “o conforto dos usuários do Uber não pode agravar ainda mais os problemas de mobilidades das grandes cidades brasileiras, que já sofrem os problemas causados pelo mar de carros que inundam nossas ruas todos os dias”. A pesquisa Mobilidade Urbana e Baixo Carbono foi adaptada de versão americana promovida pela Oil Transportation Research and Intelligence Network e mostra que desejo de melhoria no transporte público é unanimidade nacional.
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