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Pesquisa quer calcular o custo da imobilidade urbana em São Paulo

Além de fatores econômicos, estudo aponta para a falta de bem-estar de cidadãos nos congestionamentos

No último dia 23, o Instituto Escolhas se reuniu com os bolsistas do Programa de Bolsas da Cátedra Economia e Meio Ambiente. Um dos projetos selecionados para o programa abordará a questão da imobilidade urbana. Ricardo Campante Vale, mestrando da USP Ribeirão Preto, desenvolverá o estudo O Custo da Imobilidade Urbana em São Paulo.

De acordo com Vale, a proposta é calcular a perda de excedente nos congestionamentos de São Paulo, ou seja, o que as pessoas perdem, em termos de trabalho ou lazer, por estarem presas no trânsito. Ele explica que é preciso olhar para vários pontos da cidade, a fim de identificar os diversos custos do tráfego, para poder gerar uma curva de demanda. “No custo não entra somente a parte financeira do trânsito, mas também o custo de mobilidade para as pessoas que estão ali paradas, que é maior quando o trânsito não está fluindo normalmente”.

O projeto de pesquisa busca considerar a curva de custos de acordo com o horário em que o trânsito está fluindo e o horário em que há um congestionamento total. Dessa forma, é possível calcular a perda do excedente social. “As pessoas estão perdendo bem-estar. Não é somente pelos fatores econômicos, mas também pela própria ociosidade de estar parada no trânsito e outros fatores como poluição e estresse”, explica Vale. “É uma perda tanto de uma atividade que gera bem-estar quanto em relação ao próprio trabalho. Ela está perdendo a oportunidade de trabalhar e de ter momentos de lazer”, completa.

Para o bolsista, ter essa oportunidade é fundamental, pois ressalta a importância da pesquisa dentro do contexto de economia e meio ambiente. “Para desenvolver esse trabalho, a bolsa de estudos do Instituto Escolhas é muito importante porque, além de motivar, faz com que você sinta que está sendo ouvido. O tema meio ambiente não ocupará somente uma prateleira na biblioteca, mas será levado para a sociedade e será ouvido para ser colocado em prática”, afirma Vale.

Programa de Bolsas

O primeiro Programa de Bolsas – parte integrante da Cátedra Economia e Meio Ambiente – realizado pelo Instituto Escolhas, recebeu diversos projetos de pesquisa, os quais foram encaminhados para uma banca avaliadora, responsável pela seleção dos candidatos à bolsa.

A banca, que avaliou os projetos, definindo os bolsistas, foi composta por Lígia Vasconcellos, diretora Científica do Instituto Escolhas, Rudi Rocha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Conselho Científico do Instituto Escolhas, Priscila Borin Claro, do Insper, Fernanda Estevan, da Universidade de São Paulo (USP), e Eduardo Souza-Rodrigues, da Universidade de Toronto. Foram selecionados quatro estudantes que desenvolverão projetos nas áreas de mobilidade urbana, combustíveis, produtividade agrícola e água virtual.

O programa, realizado em parceria com o Insper e patrocínio do Itaú, tem como finalidade incentivar a formação de profissionais que desenvolvam pensamento crítico e pesquisa de excelência sobre as questões socioambientais contemporâneas, a partir da abordagem das ciências econômicas.

Saiba mais: Instituto Escolhas apresenta bolsistas da Cátedra Economia e Meio Ambiente

Quanto custa morar longe?

Alinhado ao tema do projeto, o estudo Quanto Custa Morar Longe, que está sendo realizado pelo Instituto Escolhas, pretende ajudar a entender o custo dessa opção – normalmente do poder público, ao fazer política de habitação, como o Minha Casa Minha Vida, e necessidade para as famílias de baixa renda -, para o poder público, para a sociedade e para as famílias.

Entre os resultados do trabalho, estará a criação de uma plataforma que calcula o custo financeiro e social de se produzir unidades como as do Minha Casa Minha Vida em função da distância do centro histórico dos municípios e regiões metropolitanas.

O Escolhas, com o estudo sobre quanto custa morar longe, quer contribuir para que a análise do problema incorpore o olhar moderno sobre o conceito de moradia, do qual faz parte a casa, como um dos elementos principais, mas que avança para  incluir o conjunto de oportunidades que garantem a qualidade de vida, como o emprego, a fruição de bens públicos para o lazer e a mobilidade, entre outros.