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Potencial da Bioeconomia na Zona Franca de Manaus em foco na Fiesp

Estudo sobre diversificação da atividade econômica no Amazonas foi apresentado pelo Instituto Escolhas durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior

Por Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

A Zona Franca de Manaus e a Bioeconomia foram tema da primeira reunião deste ano do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na abertura, o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, ressaltou que o desenvolvimento sustentável influenciará na negociação financeira, com governos e bancos.

Para debater o tema, o Conselho convidou Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas, que apresentou estudo sobre o potencial dos insumos naturais para a economia. “Fizemos um estudo que mostra como diversificar a atividade econômica do Amazonas que está fundamentalmente ancorada na Zona Franca de Manaus, a qual recebe subsídios desde 1957. A sua renúncia fiscal é da ordem de R$ 25 bilhões, sendo R$ 5 bilhões de ICMS no Estado. Estamos falando de algo da ordem em torno de R$ 30 bilhões por ano”, revelou.

Ainda segundo Leitão, o estudo propõe que o modelo estruturado da Zona Franca, com base no parque industrial, se case com o uso e potencial da biodiversidade, ancorado no desenvolvimento científico a fim de gerar descentralização econômica e geração de ganhos sociais e ambientais.

“90% de toda atividade econômica do estado do Amazonas está concentrada em Manaus. Vemos que não houve uma descentralização como era o pressuposto da Zona Franca. A nossa proposta se baseia nos seguintes eixos de oportunidades: bioeconomia, polo da economia da transformação digital, ecoturismo e psicultura”, detalhou.

O estudo apontou ainda quais são as vulnerabilidades do polo industrial de Manaus. “O polo não está baseado em inovação, no uso sustentável da biodiversidade. Significa que os insumos que são processados não estão lá”, afirmou, ao detalhar que são transportados do Centro-Sul do país para Manaus, o que configura um contrassenso, em sua análise.

Para que isso seja superado, entre as sugestões está a criação de um polo moveleiro; um parque industrial para processamento e produção de alimentos biofármacos, a partir de peixes da Amazônia; hubs logísticos de recepção pesqueira, entre outros. “O total do projeto estima investimentos da ordem de R$ 7 bilhões para geração de 218 mil empregos ao longo de 10 anos. A Zona Franca gera hoje 80 mil postos de trabalho. Não estamos competindo, mas fazendo complementariedade. Manaus pode ser o vale do Silício da bioeconomia”, concluiu Leitão.

 

18/02/2020