fbpx

Programa Renovabio tem potencial para reduzir emissões e alavancar setores agrícolas, aponta tese de bolsista da Cátedra Escolhas apresentada na Esalq

O trabalho de Henrique Maxir analisa política de preços da Petrobras e os impactos do novo Renovabio no bem-estar de consumidores, na economia e na redução das emissões de gases de efeito estufa

Por Eduardo Geraque

O programa Renovabio, se tudo funcionar como modelado em um estudo defendido na Esalq/USP, tem um potencial significativo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa do Brasil e ainda alavancar o setor agrícola nacional. O ganho na redução da poluição ambiental chegaria em 7%, informa a pesquisa, que faz parte da tese “Ensaios sobre as políticas de combustíveis no Brasil”, aprovada na sexta-feira (03/04) em Piracicaba (SP). O economista Henrique dos Santos Maxir, bolsista da Cátedra de Economia e Meio Ambiente do Instituto Escolhas, patrocinada pelo Itaú, fez uma análise profunda de várias políticas sobre combustíveis em discussão no Brasil. A partir delas, montou vários cenários.

Os modelos apresentados pelo novo doutor em Economia Aplicada pela Esalq/USP mensuram os efeitos de diversas políticas de combustíveis, tanto do governo quanto da Petrobras, sobre o bem-estar social, os impactos na economia e em relação às emissões de gases de efeito estufa. A sessão de defesa de doutorado, respeitando as recomendações das autoridades de saúde por causa da pandemia do coronavírus, foi feita de forma remota e demorou quase cinco horas.

Em outro cenário totalmente teórico, ou seja, de aplicação prática complexa, poderia haver um ganho de R$ 2,9 trilhões para os cofres do País, que poderiam ser usados para o bem-estar social, se um imposto sobre carbono fosse criado. A taxa calculada por Henrique é de US$ 31,20. O ganho seria em comparação com as políticas setoriais que existiam em 2016.

O cenário “RenovaBio”, entretanto, combina as políticas de combustível existentes no Brasil em 2016 com a variação do preço dos créditos de carbono ofertados pelos produtores de biocombustíveis e comprados pela indústria de combustíveis fósseis. Dezenas de simulações foram realizadas durante a pesquisa. Este cenário resultaria em uma queda de 7% nas emissões e um ganho de bem-estar econômico de 0,31%, equivalente a R$ 6,43 bilhões a mais para a economia brasileira. Estes valores assumem o valor dos créditos de carbono em R$ 0,10.

“O Brasil é uma economia emergente, portanto, ações para promover a baixa dependência de combustíveis fósseis e reduzir o nível de poluição, como mostram os dados, significam um caminho seguro para o desenvolvimento”, afirma Henrique.

Com base nas análises desenvolvidas durante a tese, orientada pela professora Mirian Bacchi, que envolvem também cenários sem política nenhuma ou com as regras que existiam até 2016, antes de que novas ações de preço da Petrobras entrassem em vigor, os resultados apresentados pelo modelo que analisou o programa RenovaBio é o mais factível de ser aplicado no país, afirma o pesquisador. Ele também mostra que haverá uma maior demanda por etanol hidratado, de até 30%, em relação ao uso do etanol anidro.

No Brasil, existe uma relação clara, de décadas, entre produção de combustível e o mercado de alimentos. As leis promulgadas há pelo menos 15 anos sobre a mistura de etanol na gasolina ou de biodiesel no diesel são mecanismos que interferem na produção agrícola. Isso porque o etanol e o açúcar são obtidos da cana-de-açúcar e o biodiesel, no caso brasileiro, vem principalmente da soja.

De acordo com Maxir, a mistura de combustíveis exigida pelas legislações brasileiras é uma política importante para reduzir as emissões e impulsionar os setores agrícolas. “O RenovaBio é uma excelente oportunidade para mitigar os efeitos da poluição por meio dos mecanismos de mercado. O governo, empresas privadas e agências de pesquisa são atores-chave para melhorar os resultados das políticas, contribuindo para aumentar a eficiência energética dos biocombustíveis fornecidos; reduzir as emissões do cultivo e processamento de soja e cana-de-açúcar, além de determinar a viabilidade da expansão da mistura obrigatória entre biocombustíveis e combustíveis fósseis”, afirma o economista.

Sobre a Cátedra

A Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente conta com o patrocínio do Itaú. A iniciativa contempla o Programa de Bolsas Cátedra Escolhas, que oferece bolsas de mestrado e doutorado para estudantes de pós-graduação interessados em estudar Economia em sua interface com o Meio Ambiente. Conheça os bolsistas e os trabalhos desenvolvidos por eles nas redes sociais do Instituto Escolhas.

Desde 2016, a Cátedra já beneficiou 23 bolsistas de diversos estados do Brasil, sendo que dez já defenderam a tese.