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A adoção de uma Matriz de Riscos Ambientais pelo setor financeiro é tema de debate do Escolhas

O Instituto Escolhas lançou nesta quarta-feira, 24 de março, um estudo inédito, apresentando uma matriz de riscos ambientais, que é um instrumento decisivo para que o setor financeiro incorpore o meio ambiente e o clima nas decisões sobre novos financiamentos para projetos do setor elétrico e, seguindo a mesma lógica de análise, para outros projetos de infraestrutura.

O estudo “Matriz de Riscos: um caminho para os bancos incorporarem o meio ambiente em seus financiamentos”  confirma que é possível ter critérios objetivos, padronizados e transparentes para que os financiamentos reflitam na prática os compromissos do setor financeiro com a preservação ambiental e o combate às mudanças climáticas. O lançamento aconteceu em evento online, com a presença de importantes nomes do setor financeiro e de energia.

Veja os resultados:

O estudo analisou três tipos de usinas de geração de energia, mostrando que as hidrelétricas são as que possuem o maior número de riscos ao meio ambiente (46), seguidas pelas termelétricas a gás natural (34) e, por fim, pelas eólicas (29), uma condição que deve ser considerada no momento do financiamento desses projetos.

Com relação às termelétricas a gás natural, o estudo destaca o risco das emissões de gases de efeito estufa e que recursos para novas usinas desse tipo apenas aumentam o impacto de quem as financia sobre o problema da crise climática. 

De acordo com Larissa Rodrigues, gerente de Projetos e Produtos do Escolhas, a matriz de riscos ambientais serve como um guia para que as análises de futuras solicitações de recursos incorporem os riscos identificados e que as decisões sobre rejeitar ou aceitar um financiamento, além de suas condições, estejam alinhadas com uma economia de baixo carbono.

“A avaliação do meio ambiente dentro dos financiamentos ainda é tímida. Casos como a usina hidrelétrica de Belo Monte só mostram que os compromissos voluntários não são suficientes para lidar com os riscos desses projetos e induzir mudanças concretas para uma economia de baixo carbono. Enquanto não tivermos instrumentos como a matriz de riscos, vamos levar para o futuro os erros do passado”, diz Larissa.

Aurelio Libanori, pesquisador responsável pelo estudo, explicou que os riscos ambientais foram definidos de acordo com sua importância, que é uma combinação da magnitude, duração e reversibilidade dos impactos. 

Mediando os debates, o diretor executivo do Escolhas, Sergio Leitão, explicou que o meio ambiente é sempre visto como uma externalidade: “o que estamos buscando é trazer essas informações para o momento da decisão do financiamento, permitindo que o banqueiro ou o investidor leve essas informações organizadas em consideração na sua decisão de investir previamente e não se preocupe depois”.

Para Fabio Alperowitch, fundador da FAMA Investimentos, um passo fundamental é desconstruir o pensamento de que as questões ambientais e climáticas são algo novo ou passageiro. “O que acontece é que as questões ambientais estão na área de conformidade, se restringindo à fiscalização das empresas. Nos últimos anos, ela tem escalado para a mesa dos CEOs, como uma área de negócios”,  e destacou que “a existência de um framework ou de uma matriz que aponte para os riscos de cada uma das fontes energéticas é essencial para os agentes do setor financeiro, para servir de alerta sobre onde buscar a informação de cada um dos riscos que ignoravam até então”.

Helvio Guerra, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, trouxe a possibilidade de usar a matriz de riscos no planejamento energético. Segundo ele, “a elaboração de uma matriz de riscos, com elementos objetivos, para auxiliar na tomada de decisão para financiamentos de novos empreendimentos de geração de eletricidade, auxilia também o planejador, o regulador e o formulador de políticas públicas. Indiretamente, o que o Instituto Escolhas faz é buscar qual a melhor alternativa para a produção de eletricidade no nosso país.”

Já Kátia Silene de O. Maia, gerente de Soluções em Sustentabilidade do Banco do Brasil, reforçou o interesse dos bancos em serem cada vez mais sustentáveis e destacou a contribuição da matriz não só para os financiamentos, mas também para as práticas internas de sustentabilidade, para reduzir os impactos da atividade bancária.

Vinicio Stort, diretor executivo do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais – BDMG, afirmou que para um banco de desenvolvimento é essencial equilibrar as funções de banco com o objetivo do desenvolvimento, balanceando riscos, retornos e impactos e, para isso, a matriz elaborada pelo Escolhas traz uma enorme contribuição. “Esse tipo de trabalho nos ajuda a harmonizar esses conceitos. Atualmente, há um espaço muito grande para que a retomada econômica inclua aspectos ambientais e sociais de forma diferente, é uma oportunidade”, diz Vinicio.

Fechando a rodada de debates, Ana Luci Grizzi, advogada e sócia do Veirano Advogados, que colaborou na proposta de resolução ao Banco Central apresentada pelo Escolhas, ressaltou que é essencial ter um regulação específica para a incorporação da matriz de riscos por setores, pois o direcionamento correto de recursos é indutor da conformidade ambiental e assegura a disponibilidade de capital natural para as atividades econômicas. “Em vez de pensar nos problemas de ter essa regulação, vamos pensar qual é o risco de não tê-la? Os setores produtivos precisam de água, por exemplo. Não é mais seguro ter uma regulação que vai assegurar que as empresas irão usar a água de forma correta, garantindo a disponibilidade de água para os demais negócios e para a continuidade da economia?”

Para assistir a apresentação do estudo e toda a discussão, acesse a gravação do evento no YouTube do Escolhas. E para conferir o estudo completo, acesse nossa biblioteca.