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Bolsista da Cátedra Escolhas revela queda no PIB a longo prazo como um dos impactos das mudanças climáticas na produtividade agrícola do Semiárido

Sergipe será o estado mais afetado, segundo o economista Bruno Pimenta em dissertação defendida na USP

Por Pietra Alberico

Com uma queda de 2% no Produto Interno Bruto (PIB), o estado de Sergipe será o mais atingido economicamente no longo prazo (2100) pelas mudanças no clima. É o que indica o trabalho que mostra como as produções agrícolas, os empregos e os processos de migração serão impactados pelo agravamento das mudanças climáticas em todo o Semiárido do país. A região que compreende municípios dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e do norte de Minas Gerais caracteriza-se pela baixa precipitação, déficit hídrico e aridez e é considerada uma das mais vulneráveis do ponto de vista social à mudança do clima.

A dissertação de mestrado de Bruno Pacheco Pimenta “Mudanças Climáticas e Secas no Brasil: Uma Análise Espacial Integrada a partir de Modelos IEGC e Monitoramento Climático no Semiárido brasileiro” foi aprovada no ultimo dia 31 de julho na Pós-Graduação da Faculdade de Economia Aplicada (FEA/USP). Bruno é bolsista da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente, que conta com o apoio do Itaú e outros parceiros.

O trabalho desenvolveu e integrou  uma modelagem espacial ao  modelo interregional de equilíbrio geral computável para avaliar os impactos sociais e econômicos das secas nos municípios do Semiárido brasileiro. Foram analisados os efeitos de choques climáticos sobre a produtividade agrícola na região em projeções futuras com base o Índice Integrado de Secas e o Índice de Saúde da Vegetação, ambos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Se uma produção sofre com a falta de recursos hídricos em um determinado período e este evento faz com que a produção passe de 100 kg para 90 kg, há um choque de 10% sobre a produtividade.

Na análise, o economista considerou as culturas de mandioca, milho e feijão por serem mais predominantes e representativas para a região, além do fato de que em seu processo de cultivo, geralmente, não há irrigação como em outros produtos agrícolas.  De acordo com a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o cultivo de mandioca, que representa 9,2% de toda produção do semiárido brasileiro, é uma cultura altamente tolerante a aridez e não requer grandes recursos nutritivos.

Partindo do cenário 8.5 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi estimado para panoramas futuros, como em 2040, ano em que a maior parte da região ainda terá condições produtivas razoáveis, mas que sofrem deterioração ao longo do tempo quando olhamos para os anos de 2070 e 2100. “Para todos os anos, há impactos negativos da produção advindos da seca”, conclui o economista. Ele prevê que em 2100 as regiões mais ao norte do Semiárido perdem população, enquanto mais ao sul existe um ganho populacional” o êxodo populacional deve se intensificar à medida em que as secas se intensifiquem prejudicando as atividades econômicas locais. Por outro lado, o estudo aponta que os resultados são variados: a economia do Piauí deve apresentar um acréscimo de 0,3% no PIB enquanto o Ceará terá uma queda de 1,5% em 2100.

A dissertação foi indicada a premiação e aprovada por unanimidade da banca composta por Ariaster Chimelli, professor doutor do Departamento de Economia da FEA/USP; Fernando Perobelli, professor associado Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Ana Paula Cunha, pesquisadora Cemaden. O trabalho foi realizado sob a orientação do professor Eduardo Amaral Haddad.

Sobre a Cátedra

A Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente, que tem o Itaú como um dos patrocinadores, oferece bolsas de mestrado e doutorado para estudantes de pós-graduação interessados em estudar Economia em sua interface com o Meio Ambiente. Conheça os bolsistas e os trabalhos desenvolvidos por eles nas redes sociais do Instituto Escolhas.

Desde 2016, a Cátedra já beneficiou 23 bolsistas de diversos estados do Brasil, sendo que treze já defenderam a tese.