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Como a agricultura urbana impacta na disponibilidade de serviços ecossistêmicos em São Paulo?

Especialistas debatem resultados iniciais de novo estudo Escolhas, que está sendo desenvolvido em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

A pesquisa “Mais perto do que se imagina: desafios da produção de alimentos na metrópole de São Paulo”, recém lançada pelo Instituto Escolhas e pelo Urbem, com o apoio da Porticus, abordou as contribuições da agricultura urbana e periurbana (AUP) para o sistema alimentar da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e demonstrou a possibilidade de abastecer 20 milhões de pessoas, considerando apenas sua expansão em áreas agrícolas já consolidadas.

Porém, além das possibilidades de produção de alimentos e geração de renda para a população local, o estudo evidenciou outras funções importantes da agricultura urbana e periurbana, como, por exemplo, a sua relação com a provisão de serviços ecossistêmicos na metrópole de São Paulo. Ou seja: como a agricultura na RMSP influencia, de forma direta ou indireta,  o bem-estar humano, a disponibilidade de água doce, a regulação do clima, a polinização, a conservação da biodiversidade e também a cultura.

Assim, com o objetivo de contribuir e aprofundar o entendimento e a visibilidade dessas outras interações possíveis da agricultura praticada nos centros urbanos e seus entornos,  o Instituto Escolhas e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (O Programa  Economia de Ecossistemas e Biodiversidade para Agricultura e Alimentos, TEEB AgriFood) estão desenvolvendo um novo estudo, dessa vez com foco na relação entre a agricultura urbana e periurbana na metrópole de São Paulo e os serviços ecossistêmicos e que deverá ser lançado ainda no primeiro semestre de 2021.

De acordo com Jaqueline Ferreira, gerente de projetos e produtos do Escolhas, “ao estabelecer uma relação entre a produção e o abastecimento alimentar da região metropolitana de São Paulo com a provisão de serviços ecossistêmicos, os valores atribuídos à natureza ganham força na discussão pública. Por isso, o estudo busca trazer evidências que contribuam com as políticas públicas locais, visando a sustentabilidade do sistema alimentar da metrópole paulista”.

Até o momento, os serviços ecossistêmicos avaliados são: regulação da erosão; provisão de alimentos; produção de água; mitigação de calor; e mitigação de inundações. Os resultados preliminares foram apresentados em um workshop fechado, realizado no final do ano e de que participaram mais de 30 pessoas, entre representantes da academia, governo e organizações sociais.

Além de contribuir com impressões gerais, os participantes foram convidados a responder perguntas como “quais os serviços ecossistêmicos são mais relevantes dentro do contexto da Região Metropolitana de São Paulo?”, “quais os impactos (positivo e negativo) da agricultura urbana e periurbana nos SE?”, “que dados e análises ainda precisam ser gerados para estimular a formulação de políticas públicas e ações do setor privado que beneficiem a AUP e SE?” e “quais os possíveis cenários para agricultura urbana e periurbana na metrópole de São Paulo?”.

Todas as contribuições dos participantes serão usadas para aprimorar o estudo em andamento.