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Expansão da mineração em áreas protegidas deve levar a uma perda severa da biodiversidade

A autorização da mineração em áreas protegidas, inclusive terras indígenas, é uma pauta defendida pelo atual governo e motivo de preocupação para organizações ambientalistas no Brasil e no mundo. Nesse contexto, o artigo “Strategic planning to mitigate mining impacts on protected areas in the Brazilian Amazon”, publicado nesta quinta-feira pela revista científica Nature Sustainability, traz dados fundamentais para que se entenda as consequências desse possível avanço da atividade sobre a floresta. E a principal delas é o aumento do desmatamento.

“Foram anos estudando as relações entre desmatamento e mineração para entender como essa atividade impacta as florestas, de que formas e, ainda, quais cenários decorrem disso. Olhamos também a fragmentação da paisagem, que é um importante indutor de perda da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos”, explica Juliana Siqueira-Gay, gerente de projetos do Instituto Escolhas. Ela assina o artigo junto a Laura Sonter (professora de Gestão Ambiental da Escola de Ciências Ambientais e da Terra na Universidade de Queensland), Jean Paul Metzger (professor titular de Ecologia da USP) e Luis Enrique Sánchez (professor titular na Escola Politécnica da USP). 

O estudo mostra que além de aumentar significativamente a perda de vegetação, a expansão da mineração em áreas protegidas resultaria também na perda de áreas com alta importância biológica. Para mostrar como isso acontece, foram modelados cinco cenários de expansão da mineração por 30 anos na área da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), cuja área ocupa parte dos estados do Pará e Amapá e é habitada por populações tradicionais, povos quilombolas e indígenas que dependem da floresta para sua subsistência. A Renca tem hoje 90% do seu território dentro de áreas que não permitem mineração como áreas de proteção integral, uso sustentável e territórios indígenas. 

De acordo com o estudo, a abertura de todas as áreas protegidas na região resultaria na perda de 183 km² de floresta resultante diretamente da abertura de novas minas e outros 7626 km² seriam perdidos considerando os impactos diretos e indiretos da construção de mais de mil quilômetros de novas estradas necessárias para acessar os 242 depósitos minerais da região. Metade de todo esse desmatamento aconteceria em áreas de alta importância para conservação da biodiversidade.

 

Leia o artigo completo aqui: https://rdcu.be/cSAc3