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Rio 2016 irá compensar 2 milhões de toneladas de carbono geradas no evento

Total das emissões previstas para os Jogos, no entanto, subiu de 3,6 para 4,6 milhões de toneladas de carbono

Obras no Parque Olímpico (Renato Sette Camara/Divulgação EOM)

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 começam na próxima sexta-feira (5) e, para compensar parte dos impactos que esse megaevento irá gerar com a emissão de gases causadores do efeito estufa, o Comitê Organizar Rio 2016 e a empresa Dow – companhia química oficial dos Jogos Olímpicos – anunciaram que vão compensar 2 milhões de toneladas de carbono equivalente (tCO2 eq) emitidas nos Jogos através de projetos na América Latina.

Segundo o Comitê, os esforços para mitigar a quantidade de gases lançada na atmosfera durante o evento já reduziram as perspectivas de emissões diretas de 724 mil tCO2 eq para 580 mil tCO2 eq. O total das emissões previstas para os Jogos – diretas e indiretas – , no entanto, subiu de 3,6 para 4,6 milhões de tCO2 eq. As emissões geradas a partir do deslocamento de espectadores também subiram, de 1,3 milhões para 2,5 milhões de tCO2 eq.

Esses resultados foram apresentados na semana passada, durante seminário no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O relatório final com as emissões inventariadas deverá ser divulgado em outubro. A Gerente de Sustentabilidade do Comitê Rio 2016, Tânia Braga, contou como que, a partir do que foi feito nos Jogos de Vancouver 2010 e Londres 2012, foi mapeado o conjunto de emissões associadas à construção das instalações permanentes, tanto material quanto energia, e à previsão das instalações temporárias, como tendas e arquibancadas. Também foram estimadas as emissões associadas ao deslocamento dos atletas, jornalistas, autoridades e dos espectadores.

Depois disso, foram avaliados os materiais que seriam usados nas obras e nas operações para buscar soluções de menor pegada de carbono. Desde o tipo de cimento usado até o oferecimento de três tipos de refeições, com carne vermelha (pegada alta), carne branca (média) e vegetariana (a menor pegada).

Para o pesquisador do Instituto Escolhas, Shigueo Watanabe, que também participou do seminário, tendo conhecimento sobre quanto foi reduzido em emissões, seria interessante estimar quanto custou cada tonelada de carbono evitada. “Isso é importante porque, olhando pela questão econômica, seria legal saber se vale mais à pena plantar mais árvores ou se as emissões evitadas pelas Olimpíadas representam uma opção melhor para a sociedade”, disse.

1,5 ºC

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, declarou, durante o evento no Rio, que o Brasil deve buscar atingir metas ainda mais ambiciosas do que as assumidas em Paris. Segundo ele, o país buscará manter o aumento da temperatura global em até 1,5 graus Celsius, considerada uma meta muito ambiciosa. “Na luta contra a mudança do clima não temos outra opção senão vencer. Por isso reitero e renovo o compromisso do governo brasileiro em dar pleno cumprimento ao Acordo de Paris, e fazer todos os esforços para que, globalmente, sejamos vitoriosos em limitar o aumento da temperatura global em 1,5 graus. Meio grau pode parecer pouco, mas para muitos pode significar a sobrevivência”, afirmou Sarney Filho.

A presidente do Instituto Escolhas, Ana Toni, citou a história do discurso que uma poetisa das Ilhas Marshall fez à ONU, no qual ela afirma que a diferença entre 1,5 °C e 2 °C para aquela população é a diferença entre sobreviver como país ou viver como refugiados do clima.

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Reprodução/Youtube

Reprodução/Youtube

Partindo do princípio de que as mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos ameaçam a viabilidade dos esportes como são hoje praticados, esportistas de todo o mundo estrelaram a campanha ‘1,5 C: o recorde que não devemos quebrar’. Ela é resultado de uma ação em rede envolvendo o Fórum das Nações Vulneráveis, Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente (PNUMA), Observatório do Clima e GiP. A campanha faz alusão à união entre todas as nações, necessária para atingir o objetivo de controlar o aquecimento global. Segundo a campanha, para atingir o objetivo de 1,5 ºC é preciso zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até a metade do século.

Assista ao vídeo da campanha