fbpx

“Sem uma mudança de mentalidade no planejamento energético não acabaremos com as crises de energia”

Evento Escolhas e epbr discutiu os 20 anos da chamada crise do apagão; o investimento necessário em energias renováveis foi um dos pontos de destaque

 

Em 2001, o Brasil sofreu com a crise do apagão, que afetou o abastecimento de energia elétrica em todo o País. Agora, duas décadas depois, nos deparamos com um cenário semelhante: seca, reservatórios hidrelétricos baixos, acionamento de usinas térmicas, energia mais cara para o consumidor e novo risco de apagão. Para entender o momento e discutir que medidas urgentes são necessárias para um gerenciamento efetivo dos recursos hídricos e energéticos do País, o Escolhas e a agência de notícias epbr organizaram nesta quinta-feira, 17 de junho, um webinar especial, com grandes nomes do setor elétrico.

Participaram da conversa: Jerson Kelman (ex-diretor-geral da Aneel e ex-presidente da Agência Nacional de Águas-ANA), Larissa Rodrigues (gerente de Projetos e Produtos do Instituto Escolhas) e Luiz Barata (ex-diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico-ONS). A moderação foi de Felipe Maciel (jornalista da epbr).

Veja os destaques abaixo. A gravação na íntegra está disponível no Youtube da epbr

Primeira a falar, Larissa Rodrigues analisou o contexto e disse que é necessário uma “mudança de mentalidade” no planejamento do setor elétrico para corrigir as medidas do passado e evitar que as crises continuem a se repetir, como já aconteceu nos governos FHC e Dilma e, agora, no governo Bolsonaro.

“As soluções apresentadas no passado não funcionaram, senão não estaríamos aqui, de novo, discutindo um possível apagão. E isso no pior momento possível. Agora, quando o país deveria estar focado na recuperação econômica, a crise de energia já deu um sinal negativo para isso”, disse a gerente do Escolhas, acrescentando que, “não podemos ter, de novo, um programa prioritário para usinas térmicas, com um custo altíssimo para o consumidor. Precisamos de um programa de contratação massiva e urgente de energia eólica, solar e biomassa, que vão garantir o abastecimento e a recuperação dos reservatórios, com preços baratos, além de um programa de eficiência energética, em vez de racionamento”, comentou.

Barata destacou que, para evitar momentos como este no futuro, é necessário resolver a “questão estrutural, que tem sido evitada há anos”: “o setor precisa de reformas, mas ao longo dos anos tratamos os problemas com uma série de medidas homeopáticas. Nós não fomos capazes de fazer as adequações necessárias, apenas medidas pontuais”. Ele também comentou a importância das alternativas renováveis, já que “o mundo inteiro está usando; não podemos ser negacionistas no setor de energia como temos sido na saúde”.

Já para Kelman, o caminho para uma matriz segura e adequada é “ter um marco regulatório que se adapte ao consumo e à produção, com regras competitivas, com atributos elétricos que tragam segurança. Sabemos o que precisa, só falta fazer”, comentando também que é contra reservas de mercado, como se está tentando incluir para o gás natural na Medida Provisória que trata da privatização da Eletrobras e que está sendo avaliada pelo Senado.

Os palestrantes ainda destacaram a necessidade de alterar o modelo de garantias físicas dos contratos de energia, já que há um descolamento entre a energia que é contratada pelas distribuidoras e o que é de fato entregue. Existe uma energia no papel, mas não na prática, o que afeta também o próprio gerenciamento de riscos no setor e os preços.

 

Saiba mais sobre o assunto:

Setor elétrico: como precificar a água em um cenário de escassez

Quais os reais custos e benefícios das fontes de geração elétrica no Brasil?

O que você ganha com uma geladeira que consome menos energia?

A economia está no ar: o que o Brasil ganha com ar-condicionado mais eficiente?